Na minha estante #7 - Maria! Não me mates, que sou tua mãe!

19:42

Tal como vos disse aqui, nunca tinha lido qualquer obra de Camilo Castelo Branco. Não me lembro sequer de alguma vez ler algum excerto nos livros de Língua Portuguesa. Se li, a minha memória atraiçoou-me.

Ainda assim, sou da opinião de que mais vale tarde do que nunca. E comecei por um livrinho super pequenino mas que me aguçou a vontade de conhecer mais obras do autor. Comprei o livro por ser pequenito e, como só custava 1€ na Wook, achei que era uma boa oportunidade. Já sabem que adoro pechinchas!




Maria! Não me mates, que sou tua mãe! é um conto breve, com 16 páginas apenas, cuja história é claramente traduzida no seu título: trata-se da história de Maria, que matou a sua mãe.

O conto foi publicado pela primeira vez sob o anonimato em 1848 e terá sido inspirado (descobri posteriormente) num crime real que aconteceu em Lisboa.

Achei interessante o sensacionalismo desta história e ainda mais interessante é pensar que, passados quase 170 anos, as noticias continuam a ser apresentadas de uma forma muito semelhante, escrutinando o que de pior há no ser humano para que se possa lucrar mais uns trocos. 

Nesta obra é visível ainda a alusão a Deus e à família  com uma visão extremamente moralista que acaba por se tornar divertida.

As expressões escritas e o modo de falar da época tornam esta obra ainda mais interessante e levaram a minha imaginação a um sitio onde eu nunca quereria ter estado. 

Como de costume, por cá vos deixo algumas passagens que marcaram esta leitura:

"Filhas ingratas! Mal sabeis vós que torcer os olhos de mau modo para uma mãe é o mesmo que cuspir nas tábuas da lei de Deus!"

"Oh céus, onde estão os vossos raios que não caem sobre a cabeça deste infame, que pede a uma amante que mate sua mãe (...) Meu Deus, eu sou um fraco bichinho na terra, e atrevo-me a interrogar a vossa alta sabedoria! Perdoai-me, meu Deus!"

"Filhas que amais vossas mães, tremei, tremei de horror! Mães que amais vossas filhas, chorai, chorai de compaixão! Pais de famílias que me ledes, fazei por dar uma educação a vossos filhos, que não deixe remorso na hora tremenda em que vossas almas estiverem para voar à presença de Jesus Cristo!"

"(...)condenada(...) a sofrer morte natural para sempre na forca(...)"

Este é mais um dos livros que li no âmbito do projeto Ler os Nossos do blogue a mulher que ama livros e recomendo vivamente esta leitura já que não demora mais do que 15 minutos, mas que  acaba por nos acrescentar muito.

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